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Segunda-feira

A volta das mulheres laranja

Nada como uma cidade de primeiro mundo. Em Porto Alegre o povo (sempre ele) foi hoje às ruas para protestar contra a mais recente resolução governamental que mutila os direitos do cidadão de bem, lembrando o AI-5: a proibição do bronzeamento artificial.

O Arroto do Turco


Outro dia conheci um
turco de Istambul. Não podia perder a oportunidade de esclarecer, em nome de todo os brasileiros com verdadeiro espírito investigativo, aquela dúvida que todos nós temos sobre este incrível povo. É verdade que, após as refeições, os turcos arrotam em sinal de respeito? Perguntei isso, convenientemente, logo depois do almoço. E então, arrotam mesmo? “Não”, foi sua resposta depois de um sorriso desconcertado. Ele disee que já tinha ouvido falar disso, mas que não sabia de onde tiraram esse absurdo. Acrescentou ainda que é um hábito grosseiro, assim como assoar o nariz à mesa.

Me dei por satisfeito com sua resposta, apesar de tudo que já li e ouvi por aí. Ainda assim, fiquei com uma pulga atrás da orelha: seria possível que ele escondeu a verdade justamente por saber se tratar de uma grosseria?

Em troca, ele me perguntou se era verdade que, no Brasil, todos os imigrantes de países do oriente médio são chamados de “turcos”.


Uma curiosidade curiosa. Achei esta menção ao hábito de arrotar após a refeição no livro “A Relíquia”, do escritor português Eça de Queirós, publicado em 1887. Há uma passagem que descreve a ação de Topsius:

bom sabedor das maneiras orientais, arrotou fortemente, por cortesia, demonstrando fartura e deleite.”


Abaixo, outra curiosidade: uma foto, tirada do site de uma agência de turismo turca, mostra o famoso banho turco. Diliça, não?

Sábado

Sonho Secreto

Luis Fernando Verissimo já disse que o sonho secreto de todo portoalegrense é se atirar no Arroio Dilúvio. Há muitos que, inconscientemente, realizam o sonho, pois as estatísticas mostram que cai 1 carro por mês ali no riacho. Mas teve gente que foi atrás desse sonho:

Surf no Arroio Dilúvio

Crack

A notícia mais interessante da semana foi esta: traficantes aderiram à campanha contra o crack.

Para quem não quiser ler direto na fonte, é o seguinte: Em santa Cruz do Sul, no interior gaúcho, os traficantes da cidade anunciaram, durante uma reunião de moradores, que decidiram não comercializar mais crack na cidade. Não apenas isso, ainda prometeram dar uma dura em quem não seguir essa resolução.

O motivo da adesão indireta à campanha Crack Nem Pensar é simples: como as viciados em crack contribuem para o aumento dos roubos, furtos e assassinatos na região, a repressão policial também se intensifica, o que deixa todo mundo triste. Os negociantes de drogas ilegais já anunciaram que maconha e cocaína seguem no cardápio sem restrições.

Sexta-feira

Magia Forte

Anúncio publicado no jornal Zero Hora do dia 17/11/09.




Tem foto, nome, peça íntima? Traga a pessoa amada, gamado, amarrado e rastejando aos seus pés em até 48hs! (inclusive mesmo sexo). Trabalhamos p/paixão, sexo, vingança, morte, saúde, impotência. Ligue F: (51) 3028-XXXX


Sério, quem é que vai acreditar num troço desses? Ainda mais que...Peraí! Ele disse "morte"? Hmm...

Blogue tosco da semana

Mais um blogue que pode interessar aos leitores. Tem fotos sensacionais. Impossível não se emocionar.

http://asinnerandasaint.blogspot.com/

Quarta-feira

Frases Ouvidas Por Aí #22

Casal, em restaurante, a moça diz:

- Eu não gosto da Disney desde o Toy Story, quando ela se juntou com a Pixar. Eu gosto é de 2D! Eu gosto é de Dumbo!



Conversa entre cobrador e motorista:

Motorista:Mas que tamanho que é a tua casa?

Cobrador: Dá 10 de largura e 6 de fundo. Dá... 16 metros quadrados.



Duas mulheres conversando na rua, num domingo:

- Aí ele disse que, quando ele voltasse, ele iria me assumir.


Contribuições do Cadu:

Em Rio Grande,

Dois homens numa camionete. Um deles sai do veículo. O que fica diz:

Aproveita e traz uma cachaça pra gente molhar as palavras.

Em São Paulo:

Dono de uma banca de revista, em SP:

Acho que vou comprar um computador. Mas não pode ser qualquer um, tem que ser um tip top.





Um Minuto de Silêncio

Acabei de constatar que um dos seguidores do blogue desapareceu da lista hoje.
Minha megalomania extremada me impede de pensar em qualquer outra hipótese para esse acontecimento além da morte dessa pessoa.

Terça-feira

Celular Roubado II

A novela do celular roubado continua. Eu não bloqueei o aparelho ainda, e quando liguei para o meu número uma mulher atendeu. Quando perguntei por mim mesmo (ui, que coisa mais psicanalítica) ela desligou. Mandei uma mensagem dizendo que tenho informações importantes nele e que gostaria de ao menos negociar a devolução do chip por uma módica quantia. É óbvio que não pretendo negociar coisa nenhuma, mas, sinceramente, eu confio na burrice humana e espero que a ladra me responda.

Segunda-feira

Resolução.

Resolvi parar de beber de novo. Para você ver meu empenho, já é a terceira vez que faço isso só hoje. Mas é sério, cansei de acordar em quartos de motel da zona norte ao lado de mulheres com mais cabelos nas pernas do que eu. No último fim de semana de perdição etílica acordei em casa, mas no bolso da calça havia uma figurinha da Hello Kitty e uma nota fiscal da churrascaria Boi que Berra, e eu sou vegetariano convicto há anos.

No bar
da gringa, aqui na esquina de casa, o pessoal surpreendentemente recebeu bem a notícia, e desconfio até que com uma pontinha de inveja pela minha decisão. A mulher da minissaia curtíssima que senta no banquinho alto (sim, o bar da gringa é um dos últimos sítios [olha eu tentando conquistar o público português] em que as mulheres de minissaia curtíssima ainda são bem recebidas) até me deu uma receita pra tirar a vontade de beber: um copo de água com limão. Simples assim. Na volta já passei num armazén e peguei um limão. O problema é que me deu uma vontade de colocar também gelo, açúcar e cachaça, mas resisti.

Esta semana postarei no twitter o progresso (ou não) dessa minha tentativa de fazer as pazes com meu fígado. Se alguém tiver mais dicas quentes, pode mandar que prometo experimentar todas.

Celular Roubado

Fiquei dois anos prometendo a mim mesmo que iria passar toda a minha agenda do celular (com duzentos números de telefone) para uma agenda de papel, antes que meu celular fosse roubado. Agora é tarde e eu perdi tudo.

Nesse primeiro dia não senti falta de ligar para ninguém, e muito menos de receber alguma ligação. Sinto falta mesmo é dos recursos extra, como o relógio, a agenda e, principalmente, o gravador, o qual usava para gravar as Frases Ouvidas Por Aí e depois transcrevê-las no desconforto do meu lar. Mesmo assim, não fiquei chateado (quando sua vida já beira o caos absoluto não é um celular roubado que vai fazer qualquer diferença). A única coisa que me preocupa mesmo é o arquivo de fotos com coisas bastante particulares, como minhas fotos pelado em poses sensuais (aquela série com as sardinhas é constrangedora). Se isso cair em mãos erradas, minha carreira estará arruinada. Admito que meu sonho secreto é virar uma Celebridade Internética da noite para o dia, mas não gostaria que o custo disso fosse minha dignidade. Por isso apelo aqui ao bom senso e ao compromisso ético do ladrão.

Obrigado.

O Orangotango Depressivo

Eu não tinha nada pra postar hoje. Daí abri minha caixa de emails e vi que alguém tinha me mandado essas fotos acompanhadas do texto que reproduzo abaixo. Eu ainda não consegui decidir qual é a parte mais bizarra dessa história. Melhor só se fosse em powerpoint. Olhe bem no fundo dos olhos desse meigo orangotango e me diga, com sinceridade: ele está chapado?


AMIGOS PARA SEMPRE ... Depois de perder os pais. esse orangotango de três anos de idade estava tão deprimido que se recusava a comer e não respondia muito bem aos tratamentos e remédios. Os veterinários achavam que ele iria se entregar à morte. O velho cão foi encontrado perdido nos arredores do zoológico, e quando levado para dentro da sala de tratamento, se encontrou com o orangotango, e os dois se tornaram amigos inseparáveis desde então. O orangotango encontrou uma nova razão para viver e se esforça ao máximo para fazer seu novo amigo acompanhá-lo em suas atividades.Eles vivem no norte da California e a natação é o esporte favorito de ambos, embora Roscoe (o orangotango) ainda tenha um pouco de medo da água e precise da ajuda do amigo para atravessar a nado.

Eles passam o tempo todo juntos e podemos ver, pelos sorrisos e risadas, o quanto são felizes.


Juntos descobriram o lado engraçado da vida e o valor da amizade.

Encontraram mais do que um ombro amigo para debruçar...

E viva a AMIZADE!!!

Sexta-feira

Que Mario?

Aproveitando que mais uma edição da Feira do Livro de Porto Alegre está quase encerrando, lembro aqui uma história ocorrida anos atrás.

Não sei que ano era, só sei que a estrela da Feira era o escritor peruano Mario Vargas Llosa. Para infelicidade do seu fã-clube, ele fez apenas uma passagem relâmpago pela Feira, no meio de uma tarde. Eu estava com a minha câmera fotográfica (na época em que ainda se usava filme) e, junto com outros fotógrafos que se acotovelavam, consegui fazer algumas fotos muito boas [não consegui encontrá-las, então vão ter que acreditar em mim] e corri para o Jornal do Comércio, único veículo que não tinha fotógrafo destacado para a Feira (ou talvez estivesse dormindo num banco).

Cheguei lá e logo a sala de fotografia se encheu de curiosos para ver as fotos. O fotógrafo chefe entrou pouco depois, olhou as fotos sério, e falou, convicto: Hmm, Pablo Neruda!

Para minha surpresa, ninguém naquela sala discordou, apesar de não haver qualquer semelhança física entre o peruano e o chileno. Para piorar, ninguém lembrou do fato de que Pablo Neruda já estava enterrado desde 1973... No fim das contas, publicaram três das minhas fotografias, mas felizmente com o nome do escritor correto.

Abaixo, reproduzo fotos do Vargas Llosa e do Neruda. Mas não confundam: o Mario é colorido, o Pablo é P&B.

Quarta-feira

A polêmica do Muro da Mauá

Eu não queria escrever este post. Não queria mesmo. Pois como este blogue é lido no Brasil todo e ainda em Portugal [um abraço pro pessoal de Sacavem!] eu fico com vergonha de expor as nossas polêmicas provincianas (porém, como bom provinciano, admito que adoro essas polêmicas).

É que fizeram um comentário sobre o post Capital das Monstruosidades, dizendo, entre outras coisas, "vamos fazer um mutirão para destruir o vergonhoso muro da Mauá!". Eu estava respondendo e vi que a resposta estava grande demais e resolvi abordar o tema aqui, publicamente.

Para quem é de fora de Porto Alegre, o caso é o seguinte: em 1941 a cidade enfrentou sua maior enchente, que deixou debaixo dágua boa parte do Centro. Após a enchente, foram tomadas algumas medidas preventivas, como a construção de um muro de três metros de altura ao lado do Cais do Porto. Tudo ia muito bem até que alguém percebeu que nunca mais tivemos enchentes, e a geração pós-41 começou a questionar a presença do tal muro, clamando pela sua derrubada (a exata expressão "derrubada do muro da mauá" tem cerca de 2.500 ocorrências no google).

Como
o esporte preferido do portoalegrense é criar dicotomias maniqueístas, apenas para poder ser contra alguma coisa (e aqui não me excluo), o Muro entrou em campo, com seus respectivos defensores e detratores (estes bem mais apaixonados que aqueles). Para se ter uma ideia, a cada nova eleição para a prefeitura da Capital do RS, o assunto sempre surge, a ponto de os repórteres perguntarem para os candidatos, antes de qualquer outra, a questão fatídica: "Se eleito, o que pretende fazer com o Muro da Mauá?" Comparações com o Muro de Berlim não são raras.

A preocupação é legítima e deve ser mesmo considerada. Mas o que me chama mais a atenção são os argumentos dos defensores da derrubada do muro. O mais frequente é: "precisamos devolver o Rio para a população". Acho que os derrubistas [atenção Houaiss, termo cunhado neste momento, não me esqueça na próxima edição do dicionário!] nunca se deram conta de que, mesmo que o muro seja demolido, ninguém vai ver Rio algum, pois há dezenas de armazéns entre o Rio Guaíba e o muro. São velhos depósitos para as cargas trazidas de navio (e atualmente também serve de espaço para a Bienal do Mercosul). 95% do Rio Guaíba é acessível à população, por quilômetros e quilômetros sua visão não sofre interrupção alguma. Mas não basta: os derrubistas exigem ver o Rio só naquele ponto ali, por algumas centenas de metros.

Qualquer
um que tenha se aproximado das margens do Guaíba - um rio ultrapoluído - sabe como ele é extremamente mal-cheiroso, principalmente na região central. A derrubada do "vergoonhoso" Muro da Mauá apenas contribuiria para agravar ainda mais o problema dos odores desagradáveis do Centro.

E outra: quem já esteve do outro lado do muro - e qualquer um pode ir pra lá - sabe que é ali o local mais silencioso do Centro. Provavelmente o único lugar silencioso do Centro. Ainda para quem reclama do enfeiamento da cidade com o muro, que já foi cinzento e sujo, ele é também uma enorme galeria de arte ao ar livre, com pinturas de dezenas de artistas em toda a sua extensão.




Bom, este post mala foi só pra explicar por que, no dia em que me convidarem para "um mutirão para destruir o vergonhoso muro da Mauá" eu vou preferir ficar em casa tomando chá de hibiscus.

ADICIONADO: Na noite seguinte a esta postagem, sonhei que meu apartamento estava sendo alagado. O que não me deixa esquecer que o sonho secreto de todo anti-derrubista é um dia ver uma enchente na cidade.



Terça-feira

Pernas, pra que te quero?

A mais nova polêmica provinciana aqui do celeiro acontece na 55ª edição da Feira do Livro de Porto Alegre. Mas dessa vez não foi desencadeada por algum escritor em busca de atenção, o vilão do momento é um singelo marcador de livros. E isso aí.

Em artigo publicado no jornal Zero Hora (3/11/09) a advogada Patricia Azevedo da Silveira destila todo seu ódio contra a utilização do tal marcador como peça publicitária da maior Feira literária do sul do país. A peça em questão mostra pernas de mulher, seguidas da frase "Tem sempre uma emoção esperando por você". É bom que se diga que o marcador faz parte de uma campanha que usa várias imagens (rabo de dragão, mão de morto-vivo, e outras) usando o mesmo slogan. O artigo dela ainda gerou uma réplica do vice-presidente de criação da agência de publicidade responsável pela imagem (um artigo muito fraco e mal escrito, por sinal, que não me darei ao trabalho de linkar aqui) e ainda uma tréplica ao artigo dele.

Com vocês, a imagem polêmica. Por favor, tirem as crianças da biblioteca.

Segunda-feira

Mau Humor melhora a inteligência

De acordo com este estudo, do pesquisador australiano Joseph Forgas, pessoas tristes e mau humoradas têm algumas vantagens sobre as outras. Os mau humorados crônicos entre outras coisas, teriam melhor memória, mais atenção, mais capacidade de processar informação e seriam mais dificilmente enganados. Ou seja, os pessimistas seriam mais inteligentes que os positivos.
Agora eu já sei que estou a meio caminho andado para a inteligência...

Caetano X Woody Allen

Caetano Veloso disse que Woody Allen é um cienasta menor, que faz filmes para TV. Caetano entende mesmo disso, afinal ele faz músicas para trilha de novelas. Mas, claro, é o tipo de crítica que ele faz só para chamar a atenção para si, já que "obra" deste baiano em eterna decadência está sendo enterrada faz tempo. Ele estava em casa e pensou: "Quem é um ícone do mundo cultural que eu poderia usar para vender meus discos dessa vez?"

Numa
das críticas, ele diz que o diretor americano é "careta", pois, em seus filmes, temas como "gay, maconha, rock, Bob Dylan" passam longe. Ainda bem né?

Dada a fenomenal grandiosidade de quem pariu as críticas, se eu fosse o Woody Allen eu estaria muito, muito preocupado.

Sábado

Sinal verde


Tirei estas fotos aqui do lado de casa outro dia.Pode escolher a alternativa correta.
A) Uma intervenção urbana feita por um coletivo de artistas.
B) Passagem preferencial para pedestres obesos.
C) Travessia de portadores de elefantíase.
D) Falta de manutenção dos bens públicos, principal marca da EPTC na administração Fogaça.

Sexta-feira

Cartas Universais



Dando prosseguimento à nova linha editorial deste blogue, neste post reproduzo cartas retiradas da edição 870 da Folha Universal, o jornal da Igreja Universal do Reino de Deus.


Seguro de vida

Faço parte de um grupo de evangelização e possuo um desconto em meu contra-cheque, referente a um seguro de vida. É correto ou errado um cristão possuir um seguro de vida?

Luís.

Luís, É certo que a nossa segurança está em Deus, mas o fato de vocês terem um seguro de vida não significa dizer que não vá confiar em Deus. Não acredito que isso possa interferir em sua fé. Vá em frente!

Maquiagem

Seria errado uma pessoa convertida usar uma maquiagem discreta?

Sueli.

Sueli,

Não é errado. O cuidado com o corpo é fundamental e importante, pois é templo do Espírito Santo. E, se esteticamente fica bonito, e se sentir bem e não incomodá-la, tudo bem!

Falhas e defeitos

Tenho me esforçado para não errar perante Deus. Mesmo assim, o homem é falho por natureza. Se no momento de uma dessas falhas o Senhor Jesus voltar, serei salvo ou ficarei?

Janaína.

Janaína,

É por isso que temos que andar vigilantes, pois o tempo de permanência em Deus não justifica o erro.

Essa aqui acho a melhor de todas:


Na seção Mulher Cristã:

Facebook

Tenho uma dúvida: a senhora é contra o Orkut, mas o Facebook não é parecido?

Amiga,

No Orkut, há muitas pessoas que participam para contaminar a fé das outras, por isso faz mais mal do que bem. Se existem outros meios que possamos alcançar nossos amigos, sem ter que nos sujeitarmos a essas pessoas maliciosas, então é bem melhor, não acha? Por isso é que tenho o Facebook.

Quinta-feira

É mais rápido pela escada

Preciso atravessar a longa passarela construída por cima de um fétido arroio. Há duas maneiras de se chegar nela: por uma escadaria ou pela rampa. A escada é o meio mais utilizado, já a rampa é para os cadeirantes, ciclistas ou os escadofóbicos. Não me enquadro em nenhuma dessas categorias, mas mesmo assim vou pela rampa. De longe, avisto lá em cima na passarela uma senhora magra, de cabelos curtos quase brancos, parada diante da escada. Olha para a escadaria, depois vira-se para a rampa, e outra vez olha para a escadaria, e continua assim nessa curiosa indecisão por um tempo, até que chego lá em cima e ela me pergunta, educada: “Para descer...é mais rápido pela escada ou pela rampa?” Falo de pronto, sem precisar pensar muito: “Creio que pela escada seja mais rápido”. Ela assente com a cabeça, agradece e desce pela escadaria.


Ao atravessar a passarela, não consigo deixar de pensar na senhora e sua indecisão. Os caminhos que ela deveria escolher são como as decisões que devemos tomar nas nossas vidas. As escolhas que fazemos definem os caminhos que vamos trilhar. A senhora, naquele momento de indecisão, estava literalmente paralisada diante de suas escolhas. Sabia aonde queria ir, mas não qual a melhor maneira de se chegar lá. Cada caminho era diferente: a escadaria, embora mais rápida, é também mais perigosa, os riscos de tropeçar são maiores, exigindo mais da pessoa em vários aspectos; já a rampa é um caminho mais longo, porém mais tranquilo e seguro. Mesmo que ela estivesse aparentemente indecisa, seu próprio ato de não se decidir já era uma escolha, e a pior de todas. Precisou de alguém que lhe dissesse qual era o melhor caminho para poder se sentir segura. Ele deveria ter tomado um dos caminhos e feito o melhor possível dele, como diz Frank Sinatra: I did it my way.


(apresento aos leitores do SMUB, em primeira mão, um trecho do meu mais novo futuro bestseller de autoajuda: A Força Está em Você – As pequenas cenas do cotidiano do povo como fonte de aprendizado para trilhar um caminho de sucesso.) Em breve nas piores livrarias.

Quarta-feira

Pelo direito de ser piegas

Pois um amigo vidente (ou louco, não sei) anunciou, durante um jantar, há uns 15 dias, que dia 4 de novembro algo aconteceria comigo, ou melhor, algo aconteceria para mim. "Como assim?", perguntei. Explicou entusiasmado que seria algo incrível, algo novo, uma veradeira mudança. Insinuou que minha vida sofreria um baque. Mas, por mais que eu insistisse, ele não foi claro e nunca falou sobre a natureza específica desse acontecimento. Fiquei bastante curioso, mas anotei a data na agenda do celular e relaxei.

Eis que hoje de manhã meu alarme toca, anunciando que o grande dia chegara. Fiquei esperto, atento aos sinais, confiante de que algo novo - e bom - me aconteceria. O dia até foi interessante, mas não tive nenhuma experiência avassaladora: consegui dar um gelo em uma pessoa que me deixava pra baixo; achei na rua uma antena de tv em melhor estado que a minha e a levei pra casa; conheci um cozinheiro doido que me deu de brinde uma inusitada experiência gastronômica; vi um filme italiano sobre o qual tinha bastante expectativa e que me decepcionou enormemente; enviei músicas por email para pessoas além-mar. Tudo isso, mas nada excepcional. Ainda cheio de dúvidas em minha alma, fui ler meu horóscopo em busca de algum esclarecimento, e (juro!) dizia: Nenhum esclarecimento aconteceria se a alma não fosse tomada por dúvidas. Ui.

Mas agora há pouco aconteceu algo interessante. Depois de ouvir uma música que dizia

Maybe the sun will shine today

The clouds will roll away

Maybe I won't be so afraid

I will understand everything has its plan

Either way


olhei pela janela e vi as maiores nuvens pretas da história, pareciam a nave do Independence Day sobre Nova York. Abri a janela e o fortíssimo vento resolveu desordenar mais ainda a caótica papelada espalhada pelo quarto. Relâmpagos rebrilhavam por entre a escuridão das nuvens. Fui pegar uma cerveja. Quando voltei, o que vi foi apenas o céu mais bonito do ano. Em meio a nuvens, uma faixa de luz fosforecente alaranjada apareceu ao fundo, como uma tela de cinema passando um filme antigo que resistia em ser esquecido. Peguei rápido a minha (péssima) câmera, que não conseguiu registrar nem 10% do que eu vi. Embasbacado, curti a vista por uns dez minutos, esquecendo de tudo, principalmente do meu pouco promissor futuro.

Se era essa a surpresa, Cadu, valeu.

Domingo

Degradação da Dignidade Humana

Escrevi uma frase neste post aqui, e o povo - tinha que ser ele - reclamou que faltaram dados para a completa compreensão da mensagem. Pois bem, a frase foi: "Outro dia machuquei feio o pé ao me submeter à terceira pior forma de degradação da dignidade humana."

Afinal, me perguntaram, qual é essa terceira forma de degradação da dignidade humana? Lá vai (e de lambuja já dou também as duas primeiras):
3ª - Correr para pegar o Compactador Humano Ambulante (meio de transporte mais singelamente conhecido como ônibus).
2ª - Tropeçar e cair durante a corrida para pegar o ônibus.
1ª - Depois de todo esse mico, ainda entrar nesse ônibus lotado.

É isso. Pra mim parecia tão óbvio.


Sábado

Twitterianas

- Postando hoje apenas por obrigação contratual.
- Engraçado que eu nunca tive internet em casa desde a criação deste blogue. Eu postava em cyber cafés decadentes e lan houses fedorentas. Com o dinheiro da venda da patente da minha última invenção (o fio dental sabor galinha caipira), agora finalmente tive condições de contratar serviços internéticos. Já faz uma semana e não postei nada. Bateu preguiça. Como sei que posso postar a qualquer hora do dia, agora é que não escrevo mais nada e deixo para depois.
- Vou a um pic-nic. Um cara que fala esperanto me diz que meus sonhos lúcidos são na verdade viagens astrais.
- Vou no bar da esquina tomar cerveja. Me trancam no banheiro. Quando saio, estão cantando "Parabéns a você" em turco.
- Outro dia machuquei feio o pé ao me submeter à terceira pior forma de degradação da dignidade humana.
- Descobri que os cariocas também dizem "tu" e "pilas". Sou quase um carioca já.

Terça-feira

The End is Near

Tarde de hoje: Tomando banho de sol numa cobertura, bebendo champagne, lendo Murakami, ouvindo Ella Fitzgerald e Billie Holliday.



Se amanhã o Universo quiser restabelecer seu equilíbrio, espero terremotos, tufões e tsunamis.

Segunda-feira

Capital das Monstruosidades


O historiador Voltaire Schilling, talvez por se perceber esquecido pelo povo nesta última década, resolveu escrever um artigo polêmico na Zero Hora de domingo, chamado “A capital das monstruosidades”.


Schilling abre o texto falando de Duchamp, a quem classifica como um pândego, um moleque crescido, responsável por ter aberto a Caixa de Pandora dos horrores estéticos que a partir de então invadiram o cenário das exposições de arte.




No texto, ele lista algumas esculturas modernas de Porto Alegre como exemplo disso. Diz que esses monumentos da cidade são absolutamente espantosos. Um pior do que o outro. Chama a Estrela Guia 2 de hediondo timão, exemplo da medonhice. A obra Olhos Atentos, já um ponto turístico dos mais visitados do Centro Histórico, para ele é nada mais que um tarugo de ferro enferrujado. A Supercuia, chamada ignorantemente por ele de Cuiódromo também é um dos maiores exemplos do mau gosto que nos assola. A Casa-Monstro, uma das obras mais inusitadas já vistas por aqui, para Voltaire Schilling é a gota d’água derradeira destas perversidades que acometem contra nós, pobres porto-alegrenses.



Por essas opiniões tacanhas e ultrapassadas, já dá para perceber que tipo de obra é um deleite para os seus olhos. Provavelmente o historiador acha que O Laçador, um constrangedor e hipervalorizado monumento à suposta macheza gaúcha, é um dos bons exemplos do que deveria enfeitar a cidade. Ou quem sabe o militarista Monumento ao Expedicionário, aquele risível simulacro do Arco do Triunfo. Como historiador também nunca questionou as dezenas e dezenas de estátuas erigidas a homens de passado duvidoso que emporcalham os parque e praças da capital.




O mais curioso é que lá pelas tantas, numa tentativa de ser espirituoso, ele diz o seguinte: interessante observar que nunca o Direito Penal preocupou-se em classificar como crime hediondo quem de propósito fabricasse a feiura!. Schilling, que definitivamente não foi agraciado com um harmonioso conjunto de traços fisionômicos (em outras palavras, pediu pra ser feio e ainda entrou na fila duas vezes), não percebe que, se tal lei fosse realmente aplicada, sua mãe certamente seria condenada à prisão perpétua.

Domingo

Balança

Na minha luta contra a balança, já saí na frente: ontem consegui quebrá-la.

Separados no Nascimento IX



Francis Ford Coppola, diretor de cinema decadente.





Umberto Eco, escritor decadente.

Terça-feira

Neofeminismo 2

Trechos de entrevista na Época com Maria Mariana, que nos anos 90 era uma guria que ficou famosa por escrever e atuar em Confissões de Adolescente. Hoje ela é mãe de quatro filhos.


O que pensa sobre o casamento?
Casamento é um degrau que a pessoa tem para caminhar para frente. Quem opta por ficar sozinho não desenvolve aprendizados que o casamento dá. Apanhar cueca suja que o marido deixa no chão é um aprendizado de paciência e dedicação.

Não acredito na igualdade entre homens e mulheres. Todos merecem respeito, espaço. Mas o homem tem uma função no mundo e a mulher tem outra. São habilidades diferentes. Penso nesta imagem: homem e mulher estão no mesmo barco, no mesmo mar. Há ondas, tempestades, maremotos. Alguém precisa estar com o leme na mão. Os dois, não dá. Deus preparou o homem para estar com o leme na mão. A mulher pode dirigir tudo, mas o lugar dela não é com o leme.

Acho que o pessoal do programa Coisas de Mulher ia gostar dela.