28 de janeiro de 2010

Salinger morre, enfim

Morreu há pouco J.D. Salinger, autor de um dos livros mais superestimados de todos os tempos (perde para a Bíblia), O apanhador no campo de centeio (The catcher in the rye).

O livro marcou uma geração e blablabla, mas é ruim que dói. Ficar hoje, em pleno século 21, glorificando o tal livro é como tentar masturbar uma banana.

17 comentários:

  1. Como eu dizia, sensibilidade não se ensina...

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  2. Concordo plenamente. Se alguém tivesse ensinado sensibilidade ao Salinger, ele não teria escrito aquele lixo...

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  3. Djegovsky, eu não li o livro mas, pela sua formação, sou levada a acreditar que seja possível tratar-se de uma péssima leitura. Entretanto, aproveito para te fazer uma pergunta. A que você acredita que se deva, então, essa "idolatria" por essa obra? Como você analisa o fato de um livro tão ruim ser tão aclamado (até hoje, inclusive, a despeito de ter sido escrito tantos anos atrás)?
    Um abraço!

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  4. Caríssima Biscoito,

    Minha formação? rsrs
    Eu nem sequer tenho formação, minha filha. Nesse quesito sou igual ao presidente Lula: orgulhoso da minha ignorância. Tudo o que eu não sei aprendi esperando o ônibus.

    Bueno, dito isto já fico convenientemente isento de qualquer comprometimento académico na análise do livro.

    Mas vamos lá...
    A minha bronca com o livro talvez seja um pouco injusta, mas é proporcional ao sucesso que ele tem. E tenho uma bronca geral com tudo aquilo que considero superestimado. Me deparo com algo simplório, que até poderia passar batido, mas como faz sucesso, acabo implicando justamente por não ver méritos para tanto.

    Vejo isso em música (radiohead, u2), filmes (batman o cavaleiro das trevas, irmãos cohen), colunistas de jornal (a maioria) e livros.

    (puxa, enrolei bastante até agora e não cheguei nem perto de responder a tua pergunta, mas não desista)

    Ah, sim, eu também não li o livro. O julgamento que fiz foi baseado totalmente na sua tradução, feita por um fã em 1963 e extremamente datada e pouco natural.
    Quando li, foi com grande expectativa, que gerou grande decepção. Simplesmente não consegui ver as qualidades do livro, a sua reputação não correspondia à realidade, apenas isso.


    Tentando responder a tua pergunta agora...
    O que as pessoas dizem que veem é o tal retrato da rebeldia juvenil, sem esperanças, vazia e sem compromisso com o status quo, tudo representado pelo antiherói adolescente Holden Caulfield. O fato é que onde veem tudo isso eu só vejo um babaca mal humorado.

    Sobre ainda ter relevância depois de tantos anos... Acho que muitos equívocos de avaliação são perpetuados sem contestação por anos. Ou acha que os autores que estudamos em Literatura são todos tão bons assim?

    Muita gente diz que "O apanhador no campo de centeio" mudou sua vida. E eu não duvido nada. Será que no fim das contas a minha implicância não passa de inveja enrustida?

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Perfeita a sua colocação! Adorei! Só fiquei meio decepcionada por ter acreditado piamente, até hoje, que você era formado em Letras! Você partiu meu coração, agora!Mesmo assim, prefiro você a Lula... Kkkkkkkkk
    Bjss

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  7. Com esse comentario da tua fã, pra ser coerente, Diego, ja que tu tem bronca com o que é superestimado, tu deveria agora te expulsar do teu blog!

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  8. Biscoito fininho,
    rsrs... Pois é, que decepção. Formação académica para mim, é outra coisa superestimada. Mas não se desespere: apesar das minhas duas faculdades não concluídas, no próximo semestre parece que vão me dar um diploma de Letras sim, o qual pendurarei de cabeça para baixo na parede do banheiro. Já está convidada para a grande cerimônia, na qual desfilarei em carro de bombeiros pelas principais avenidas da cidade, culminando com o recebimento da Chave da Cidade das mãos do prefeito.

    Anônima,
    Nada como a Mãe Natureza em sua busca constante pelo equilíbrio: depois de um elogio, uma paulada. Mas com classe, claro.

    abçs a todas

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  9. Sou mesmo uma Força da Natureza. Pode me chamar de Tempesta.

    ....

    Tu não vai mais colocar aqueles bichichos fofuchos?

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  10. Rafael Bán Jacobsen31 de janeiro de 2010 00:29

    Já foi tarde o maluco da urinotetapia!
    A unica coisa boa que me deixou foi o exemplo de "escritor recluso", que um dia ainda seguirei (se bem que minha reclusão será mais a la pynchon do que a la salinger).

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  11. Anônima,
    Infelizmente, a época dos bichinhos fofuchos já era.

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  12. O que eu vejo de interessante no Salinger eh que , embora o universo que ele escreve seja de criancas/adolescentes, nao tem nada de historias leves; ele mostra o mundo com um lugar “desencantado”.

    E mais interessante pra mim eh que geralmente ele coloca a crianca/adolescente no centro mesmo, ou seja, com um narrador-personagem (O apanhador; Seymor, uma apresentacao) e nao descrito por um adulto (um narrador-onisciente ou narrador/observador).

    Se detendo nessa fase da vida em que ainda somos idealistas, mas retratando a decepcao da adolescencia com o mundo real e a imaturidade dos adultos (como em Nove Historias, onde alias a pedofilia eh clara) ele faz mais do que retratar o drama da adolescencia. Ele retrata o drama humano.

    Eh como se ele tivesse nostalgia de uma parte do homem que sonhamos ser, mas nunca se concretiza no adulto; nao soh no sentido do individuo, mas a incapacidade natural do ser humano de se manter perseguindo ideais nobres.

    E acho que a reclusao do Salinger eh coerente com a dificuldade de lidar com essa triste verdade.

    Eu vejo coisas parecidas no Pequeno Principe. O total contraste de contar uma historia com cara de historia pra criancas, mas com um fundo tao pessimista. O personagem sai pelo mundo meio a esmo depois de se deparar com uma “questrao adulta” (a relaçao com a Rosa), e a conclusao (o suicidio do Pequeno Principe, querendo “voltar para casa”) sugere que a condicao humana eh muito dificil de se sustentar.

    Algo muito parecido se encontra num livro de tematica bem diferente, Particulas Elementares (infelizmente MUITO MAL TRADUZIDO pelo Juremir Machado), onde os personagens principais (que representam a humanidade) sao imaturos e autodestrutivos justamente por conta de sua alta sensibilidade (como um adolescente rebelde), e no final, toda a humanidade eh substituida (atraves da engenharia genetica) por seres menos contraditorios e "mais felizes", que no entando reconhecem o heroismo da condicao humana.

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  13. Isso mesmo que o Salinger mostra: a epoca dos bichinhos fofuchos ja era.

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  14. Poxa, e precisou de um livro inteiro pra dizer isso? Ele me parece meio prolixo então né?

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  15. "Claro! Gosto que a pessoa seja objetiva e tudo. Mas não gosto que seja objetiva demais. Não sei. Acho que não gosto quando a pessoa é objetiva o tempo todo. Os garotos que conseguiam as melhores notas em Expressão Oral eram objetivos o tempo todo, isso eram. Mas tinha um garoto, o Richard Kinsella. Ele não era muito objetivo e a turma vivia gritando 'Digressão!' quando ele falava. Era horrível. Primeiro porque ele era um cara muito nervoso. Isso mesmo, nervosíssimo -- e, quando chegava a hora de falar, os lábios dele começavam a tremer, eu gostava dos discursos dele mais do que os de qualquer outro sujeito. Ele também quase foi reprovado. Passou raspando, porque a turma vivia gritando 'Digressão!' para ele. Por exemplo, ele fez um discurso sobre uma fazenda que o pai dele tinha comprado em Vermont. O tempo inteirinho que ele falou a turma ficou gritando "Digressão!" e o professor, um tal de Vinson, deu-lhe uma nota ruim pra diabo porque ele não contou que espécie de animais e legumes e outros troços tinha lá na fazenda e tudo. Sabe o quê que ele fazia? Começava contando essas coisas todas e aí, de repente, começava a falar de uma carta que a mãe dele tinha recebido do tio; e que o tio teve poliomielite e tudo aos quarenta e dois anos de idade, e se recusava a receber visitas no hospital porque não queria que ninguém o visse com a perna na tipóia. Não tinha muita ligação com a fazenda, concordo, mas era simpático. É um troço simpático quando alguém fala de um tio. Principalmente quando começa a falar da fazenda do pai e, de repente, fica mais interessado no tio." (Salinger, n'O Apanhador no Campo de Centeio)

    Tu passou mais da metade da vida fazendo terapia e nao sabe que o que importa verdadeiramente sao as "sobras", Diego?

    "Não se pode fazer coincidir uma ordem pluridimensional (o real) com uma ordem unidimensional (a linguagem)". Mas a literatura tenta; por isso fala, fala, fala... (ver Barthes, Aula e O Grau Zero da Escritura)

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  16. Gostei desse trecho, admito. Quem sabe um dia releio o livro.

    Mas um reparo necessário: não passei "mais da metade da minha vida fazendo terapia"...rs

    Fiz apenas durante cerca de 5 anos, entre junguianas sem senso de humor, lacanianas digressivas, neurologistas pop stars e vários psiquiatras fãs de lançamentos da indústria farmacêutica.

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  17. So 5 anos? Ta explicado... rs rs

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