26 de outubro de 2009

Capital das Monstruosidades


O historiador Voltaire Schilling, talvez por se perceber esquecido pelo povo nesta última década, resolveu escrever um artigo polêmico na Zero Hora de domingo, chamado “A capital das monstruosidades”.

Schilling abre o texto falando de Duchamp, a quem classifica como um pândego, um moleque crescido, responsável por ter aberto a Caixa de Pandora dos horrores estéticos que a partir de então invadiram o cenário das exposições de arte.



No texto, ele lista algumas esculturas modernas de Porto Alegre como exemplo disso. Diz que esses monumentos da cidade são absolutamente espantosos. Um pior do que o outro. Chama a Estrela Guia 2 de hediondo timão, exemplo da medonhice. A obra Olhos Atentos, já um ponto turístico dos mais visitados do Centro Histórico, para ele é nada mais que um tarugo de ferro enferrujado. A Supercuia, chamada ignorantemente por ele de Cuiódromo também é um dos maiores exemplos do mau gosto que nos assola. A Casa-Monstro, uma das obras mais inusitadas já vistas por aqui, para Voltaire Schilling é a gota d’água derradeira destas perversidades que acometem contra nós, pobres porto-alegrenses.


Por essas opiniões tacanhas e ultrapassadas, já dá para perceber que tipo de obra é um deleite para os seus olhos. Provavelmente o historiador acha que O Laçador, um constrangedor e hipervalorizado monumento à suposta macheza gaúcha, é um dos bons exemplos do que deveria enfeitar a cidade. Ou quem sabe o militarista Monumento ao Expedicionário, aquele risível simulacro do Arco do Triunfo. Como historiador também nunca questionou as dezenas e dezenas de estátuas erigidas a homens de passado duvidoso que emporcalham os parque e praças da capital.



O mais curioso é que lá pelas tantas, numa tentativa de ser espirituoso, ele diz o seguinte: interessante observar que nunca o Direito Penal preocupou-se em classificar como crime hediondo quem de propósito fabricasse a feiura!. Schilling, que definitivamente não foi agraciado com um harmonioso conjunto de traços fisionômicos (em outras palavras, pediu pra ser feio e ainda entrou na fila duas vezes), não percebe que, se tal lei fosse realmente aplicada, sua mãe certamente seria condenada à prisão perpétua.

17 comentários:

  1. mas que poa é feiinha é... rsrs

    ps. eu nao sei desabilitar o verificador de palavras =P

    ResponderExcluir
  2. Rafael Bán Jacobsen27 de outubro de 2009 13:01

    Pior que eu concordo com o doido do Voltaire nesse ponto. As tetinhas do PT e o tarugo enferrujado acho que são mesmo as piores...
    Mas vou mais além: acho o Laçador ridículo, esse monte de obeliscos fálicos que grassam em nossas praças e parques são mais ridículos ainda, aquele arco do triunfo mal-fracassado da Redenção é risível... tudo, tudo, tudo aqui é horrível!
    Porto Alegre é uma província, um celeiro de aberrações sem vocação alguma para artes plásticas e urbanismo (ou qualquer tipo de arte).
    Porto Alegre só teria a ganhar se colocassem tudo abaixo e reconstruíssem no melhor estilo "bloco de concreto caixotão-uniforme e cinza tipo União Soviética nos tempo áureos (??!! teve tempo áureo por lá?)".

    ResponderExcluir
  3. Senhor Rafael, eu nem vou criticá-lo pois acabei de diagnosticá-lo (com a credibilidade que o diploma de Psiquiatria que o meu curso por correspondência do Instituto Universal Brasileiro me dá) como portador do Mal de Schwarztkapoft, também conhecido como Síndrome da Iconoclastia Empedernida.

    ResponderExcluir
  4. Rafael Bán Jacobsen27 de outubro de 2009 20:18

    Caro Djegovsky:

    Ainda bem que o senhor nem vai perder tempo me criticando pois qualquer crítica que me façam hoje passará despercebida frente ao enorme elogio que foi ter meu comentário acima censurado no site da ZH (sim, eu tentei postar lá também o meu comentário acima e... a moderação não o permitiu!). Frente a esse elogio, podem me chamar até de fã de Legião Urbana que eu ainda vou estar sorrindo!

    ResponderExcluir
  5. Também escrevi pra ZH. Fiz dois comments. Publicaram apenas o mais suave, mas ainda demorou umas 24 horas.

    ResponderExcluir
  6. A critica para um artista maduro é sempre benvinda ,ela esclarece e liberta. O que o historiador fez foi no meu entender a transcripção de uma conversa de buteco em fim de noite e uma justificativa ao vandalismo ,isso que o homen é historiador e diretor do memorial do estado .G Nakle

    ResponderExcluir
  7. A classe artística chora que nem bebê, não querem nem se dar ao trabalho de entrar no mérito de cada obra, do porquê de seus lugares nos espaços públicos, de qual á relação daquilo com a cidade. Principalkmente os trabalhos mais recentes, que chegam aqui através da bienal, e são é claro super bem vindos, mas que acabam de qualque jeito ao largo do guahyba. Pelo menos me passa essa impressão. Meu preferido é disparado a super-cuia, mas acho que poderia ser em outro lugar. O prêmio "somos todos caipiras" vai para a elis regina de bronze, tbm no gasômetro.
    L.R.

    ResponderExcluir
  8. Pois é L.R. (posso chamá-lo de Luís Ricardo?), agora querem discutir a presença desse tipo de obras, classificadas como "feias" e só. Mas e quanto às centenas de monumentos e estátuas que estão por aí e que nunca são questionadas? Pelo contrário, cada vez que alguém faz uma pichação, lá vem aquele papo de "proteger do vandalismo" e tal. Por mim, cada estátua de milico sentado num cavalo poderia ser fundida pra virar peso de papel.

    ResponderExcluir
  9. O que está acontecendo com Porto Alegre? Vejam o mirante na orla do Guaíba. Aquilo ali é arte? Vou urinar dentro de uma lata de lixo e também vou dizer que é arte e me passar por artista. Vou sair na Bienal e meu trabalho vai ser reconhecido, e louvado por muitos intelectualóides da capital.

    Faça-me o favor...

    Há tempos que Porto Alegre clama por beleza. Outra...sei que não faz parte da Bienal nem nada, mas por favor...vamos fazer um mutirão para destruir o vergonhoso muro da Mauá!

    ResponderExcluir
  10. Gosto de arte. Não sou entendedor, mas nunca achei que para admirar arte o sujeito precisasse ser artista. Um monte de metal enferrujado, formas abstratas que não dizem nada, casas antigas com tumores. Não, isso não chama minha atenção. E se a busca pelo belo, como disse uma senhora por aí, é coisa de gente limitada então eu sou uma pessoa limitada.

    E entre o Laçador, ou qualquer obra do Caringi e aquelas coisas horrorosas e sem sentido fico com o bom e velho senso comum: o Laçador, independe de ser um monumento a "suposta macheza do gaúcho" é uma bela figura humana. O monumento Castello Branco, independentemente de ser uma obra representando um milico sodomita não passa de algumas toneladas de metal enferrujado.

    Carlos

    ResponderExcluir
  11. Charlie,

    Você descreve algumas das obras "monstruosas" e diz que elas não chamam a sua atenção. Então qual é o problema de elas existirem, já que é indiferente a elas?

    O problema da busca pelo belo é que o seu belo, para mim, pode ser horroroso, e vice-versa. Aliás, quem disse que busco o belo?

    Já se olhou no espelho? Quem dirá se você não correrá o risco de eliminação quando for instaurada a Ditadura do Belo?

    ResponderExcluir
  12. ''milico sentado num cavalo''... quanta irreverência...

    ResponderExcluir
  13. Pior que fui procurar quem é que tinha escrito essa citação...rs

    ResponderExcluir
  14. eis aqui um link sobre as esculturas gauchas.
    http://www.esculturagaucha.com.br/obraspublicas.htm

    Nao existe obra priva de significado. A arte diz sempre algo, mesmo querendo permanecer em silencio.
    Voltaire Schilling se esquece que a leitura de uma obra de arte nao se faz somente pelo valor estetico ( subjetivo ). Esta representa um pensamento d'época. Retrata um contexto historico. Ilustra os aprimoramentos tecnicos do momento.
    Querer reduzir o valor de uma obra somente ao seu valor estetico seria " desuniversalizar " a arte. A entender-se, jamais seria unanime. Ja que gosto é como o cu, cada um tem o seu.



    " O mais curioso é que lá pelas tantas, numa tentativa de ser espirituoso, ele diz o seguinte: interessante observar que nunca o Direito Penal preocupou-se em classificar como crime hediondo quem de propósito fabricasse a feiura!. Schilling, que definitivamente não foi agraciado com um harmonioso conjunto de traços fisionômicos (em outras palavras, pediu pra ser feio e ainda entrou na fila duas vezes), não percebe que, se tal lei fosse realmente aplicada, sua mãe certamente seria condenada à prisão perpétua." ( ha!ha!ha!ha!ha!ha! )

    ResponderExcluir
  15. Porto Alegre é muito, mas muito linda e não graças a estas aberrações que pseudo-intelectualoides burgueses acham maravilhosas. Porem, existe algo pior do q. estes monstrengos aqui em Poa, é a grossura e a falta de educação de alguem fazer uma crítica a aparencia pessoal de uma pessoa só porque a opinião de A é diferente de B. Tanto se lutou pela democracia para q. um "wannabe" desses abra a sua portinhola de comer torta e nos remeta de volta a 1964. Francamente...

    ResponderExcluir
  16. Hmm, quer dizer que em 64 o povo se rebelou contra a ditadura para impedir que as pessoas fossem chamadas de feias...
    Amigo, acho que um de nos dois deve voltar pra escola e estudar mais um pouquinho Historia do Brasil.. .

    Mas, voltando ao assunto, repare que a minha critica foi totalmente pertinente, visto que estamos falando de senso estetico.

    ResponderExcluir

Colaboradores